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Sáb 4 Dezembro 2021
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INFO-VAC: IGC coordena estudo sobre efetividade das vacinas contra a COVID-19 em doentes oncológicos

Dos 211 doentes oncológicos envolvidos no estudo coordenado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e pelo Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca E.P.E., 43% desenvolveram anticorpos após a primeira dose de vacina contra a COVID-19, aumentando para 83% após o esquema vacinal estar completo. No entanto, a percentagem de doentes que desenvolve anticorpos neste período de tempo varia consoante o tipo de vacina administrada e a terapêutica a que são sujeitos.

Este estudo é particularmente urgente por se tratar de uma população com maior risco de desenvolver doença grave por COVID-19 e, muitas vezes, de indivíduos sob terapias imunossupressoras que comprometem o sistema imunitário.

Os dados preliminares do estudo revelam que 90.5% dos doentes oncológicos que foram inoculados com uma vacina de mRNA – Moderna ou Pfizer/BioNTech -, apresentam anticorpos contra o SARS-CoV-2 três semanas após a vacinação completa. Por outro lado, apenas 65% dos doentes que receberam uma vacina de adenovírus – AstraZeneca ou Jansen -, desenvolveram imunidade.

Estudos anteriores desenvolvidos pelo Instituto Gulbenkian de Ciência em profissionais de saúde e em profissionais de educação em colaboração com o CHLO, a Câmara Municipal de Oeiras e ACES Lisboa Ocidental e Oeiras, no âmbito do projeto INFO-VAC, indicam que a vacinação completa com a vacina da Pfizer/BioNTech induz a produção de anticorpos em 99,8% dos participantes, enquanto que a vacinação completa com AstraZeneca induz anticorpos em 97.7%. A resposta à vacinação, em particular à vacina da Astrazeneca, em doentes oncológicos parece ser menos eficaz comparativamente à observada nos grupos de profissionais de saúde e de educação.

Uma análise preliminar da resposta a vacinas de mRNA revela que o tipo de terapêutica a que os doentes oncológicos estão sujeitos poderá influenciar a resposta à vacina. Dos doentes sob terapêutica imunossupressora, como quimioterapia e terapêutica-alvo, 88% geraram anticorpos após a conclusão do esquema vacinal enquanto que 98% dos doentes submetidos a outros tipos de terapêuticas produziram anticorpos após a vacinação.

A análise dos níveis de anticorpos mostra uma tendência significativa para valores mais baixos em doentes sob terapêutica imunossupressora comparativamente a doentes com outras terapias. Estes dados evidenciam que nos doentes a receber terapias imunossupressoras, a resposta às vacinas contra a COVID-19 é menos eficaz, não só na capacidade de gerar anticorpos como também nos níveis gerados.

Os primeiros resultados deste rastreio, foram apresentados no mês de setembro no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), e revelaram a natureza promissora e inovadora deste estudo.

O estudo conta com 211 doentes oncológicos, sujeitos a diversos tipos de tratamentos, e sobreviventes de cancro do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, que continua a recrutar participantes. O próximo passo será a avaliação da persistência da resposta imunitária nestes doentes e sobreviventes de cancro ao longo do tempo, com seguimento de pelo menos um ano.

O INFO-VAC, que conta com o apoio de dois grupos de investigação do IGC, procura dar resposta a algumas destas questões, de modo a acompanhar a efetividade das vacinas no mundo real e a apoiar decisões futuras, como que vacinas usar em determinadas populações. É uma das iniciativas de resposta à pandemia da Fundação Gulbenkian, em parceria com hospitais e autarquias, que tem vindo a monitorizar a efetividade das vacinas contra a COVID-19 em diferentes grupos populacionais reunindo já uma amostra de cerca de 3000 participantes.

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